Carta aos meus filhos #36

Em 2006 a mãe tinha dezasseis anos. Estendia roupa ao ar livre na Tenência, lençóis, vestidos leves de verão. Ia descalça, pela hora de menos calor, expôr os trapos recém-lavados àquele sol implacável. Estava tanto calor que me deixava envolver pela humidade dos tecidos, pelo seu aroma a detergente, a limpo. Lavava os cabelos na fonte, deixava-os secar nas costas. Nessa altura usava-os compridos, avermelhados, encaracolados. Estendia a roupa de vestido branco, era-lhe muito apegada nessa época. Na época em que era romântica. Ouvia a No Me Platiqués Más vezes sem conta e imaginava um amor perfeito.

 Desabafo.Não há coisas perfeitas.
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