Carta aos meus filhos #39


A mãe hoje está triste.
As pessoas entram e saem das vidas umas das outras.
Quando as esquecemos, é triste. Quando nunca seremos capazes de as esquecer, ainda pior. A mãe está triste porque ainda viveu pouco, não sabe se, quando se deseja uma pessoa um dia, a desejamos para sempre ou se, numa manhã, a pessoa deixa de ser objecto de desejo. O desejo, (mesmo o amor), por vezes adormece em nós. A mãe ainda não sabe se um dia acordará de novo.
Por isso, quando alguém que foi importante na nossa vida deixa de o ser e passamos pela pessoa como se fosse um vizinho a quem apenas dirigimos “bons dias” e “boas tardes”, é triste. Mas quando passamos pela pessoa e o nosso estômago se embrulha, e o nosso coração acelera, e a nossa boca seca, é ainda mais triste. É triste esquecer e é triste não esquecer. É triste lembrar das promessas sussurradas a meio da noite, quando tudo é mais sincero e mais cru. Mas é ainda mais triste tê-las soterrado em nós e passarmos-lhes ao largo.
A mãe viveu pouco.
Precisa de aprender.
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