Carta aos meus filhos #63

A mamã anda a deitar-se tarde.
[A mamã anda louca de vontade de carregar um bebé na barriga, besuntar-se com creme gordo, dá-lo à luz e amamentá-lo.]
A mamã anda com um bloqueio criativo, mas lida bem com isso. Em fases que me custam escrever, aproveito para corrigir/rever os escritos.
Ontem a mamã cometeu uma pequena loucura… comprou os seus primeiros óculos de sol de marca. A mamã não deveria. Mas é meio maluca, mesmo.
Hoje revirei a roupa toda na casa da avó Norvinda, numa tentativa de decidir o que quero aproveitar do meu neverending wardrobe e o que quero deitar fora. Encontrei umas calças largueironas, cheias de marcas de tinta, e estou a vesti-las. Gosto de as sentir largas nas pernas, estreitas nas ancas, e de ver o tom de vinho das unhas dos pés a surgir abaixo delas.
A mamã vai abrir a janela, acender um cigarro, escrever qualquer coisa.
A mamã sente que está a entrar noutra das suas fases rebeldes.
Passa rápido, a mamã já se conhece.
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